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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Tropeço


Lembro do dia em que tropecei em você, era inverno, estava com pressa e a procura de um café quente nós nos esbarramos e toda aquela minha papelada importante foi para todos os lados da rua. Lembro também que em alguma noite sem sono antes de te encontrar, tinha pedido a Deus que algo aparecesse e fizesse com que minha rotina mudasse, e lá estava você. De barba por fazer e cabelo meio despenteado bem na minha frente.
Você tomou café comigo e eu esqueci da pressa e deixei as borboletas crescerem aqui no meu estômago.
O tempo passou, e nós não eramos namorados, só estávamos juntos quase todo o tempo. 
Eu gostava do seu jeito de rir e de me fazer rir, e de ficar confuso com o jeito que eu falava da vida. Você disse que estaria sempre aqui e eu, bom, eu acreditei. 
Não sei se foi errado o que fizemos um com o outro, nem sei ao certo o que foi que fizemos, agente só vivia. Ma o que você fez me doeu e sei que doeu em você também, eu só não esperava ver você andando por ai sem mim. Você foi sim o que me fez mudar, e agora eu acredito naquilo que você disse, que não sabia amar.
 As borboletas foram afogadas e foi bem melhor assim, o que agente viveu vale bem mais do que um tipo de nomenclatura que  insistem em querer colocar quando duas pessoas vivem momentos juntos. Vê se qualquer dia aparece, pra nós dois ficar de papo por ai, tomando café e rindo um do outro.Você foi o melhor tropeço  que me aconteceu!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Essa cara não é você


Eu quero um cara que me entenda completamente, que preste atenção em todas as letras de músicas que eu escuto e que tire fotos infinitas comigo. Que goste de praia tanto quanto eu e ame sair sem rumo e nem programação. Que não conte cada minuto no relógio e que não se importe se eu chegar atrasada. Que perceba o meu novo perfume e como os meu cabelos mudaram de cor. Um cara que saiba comprar presentes para mim sem medo de errar, que saiba fazer brigadeiro e que mande flores em um dia qualquer. Que aceite minha forma de ver a vida e não se importe se eu vivo mais no mundo da lua do que no real, que entenda quando minhas desculpas forem sinceras e não se deixe enrolar nas minhas maldades. Que apoie minhas decisões, que entenda minhas crises de sensibilidade e minhas estupidez em dias ruins. E por fim, um cara que saiba respeitar o meu tempo de solidão.
 E agora vamos ser sinceros, esse cara talvez não seja você. E quer saber? Eu não me importo!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O espaço entre o inicio e a volta, parte II

- Alô?!
- Paulo?
- Eu mesmo, quem fala?
- Não conhece mais a voz da sua mais melhor amiga de todos os tempos?
- A quanto tempo você tá de volta e não me contou? Sua retardada, vou te matar!
- Tá livre hoje?
- Hmm, as cinco no lugar de sempre!
- Até...

Voltei para casa, tinha bastante tempo até as cinco, bastante coisas a fazer e  vontade nenhuma.
Comecei a abrir algumas caixas e tentar organizar as coisas, na casa ao menos por que na minha cabeça as coisas andavam totalmente desajeitadas, mas isso já fazia parte da minha vida. Achei o cd dos "Engenheiros do Hawaii ao vivo", em uma das caixas, coloquei no último volume, a música fazia com que o pequeno apartamento ficasse um pouco mais cheio.
O sol brilhava pela janela, já devia estar no minimo uns 35ºC e a recém estávamos na primavera, com o passar do tempo esqueci que o sul do Brasil tinha apenas duas estações, frio congelante e calor derretente, eu gostava disso.

 "Mas ei mãe, alguma coisa ficou para trás, antigamente eu sabia exatamente o que fazer."

Era incrível como minha música favorita sempre fazia sentido em quase todos os momentos da minha vida.
Fiquei mexendo nas coisa, arrumando o que já dava para colocar no lugar fui diminuindo as caixas, almocei comida congelada, fetuccini ao molho branco e ervilhas, e salada com um belo copo de coca cola gelada.
Abri o notebook e consegui roubar a internet do bar da frente, entrei na redes sociais e lá estavam as mesmas coisas de sempre, post's do dia anterior sendo felizes por ser sexta, gente sofrendo por amor, gente amando, gente mostrando as festas badaladas do último final de semana, indiretas pra um, pra outros... AI MEU SACO!
O relógio marcava 15:50, tá legal, hora de começar a se mexer e achar uma roupa decente para ir no meu café favorito encontrar a minha pessoa favorita no mundo. Paulo era meu amigo de infância, conheci ele no primário, em um recreio os dois corriam de um lado para o outro até que nos batemos de cabeça e fomos juntos para secretaria com um galo gigante na testa, depois disso só nos separamos quando fui morar na Europa, e tinha muuuita conversa para colocar em dia.
Cheguei antes dele é obvio, ele sempre se atrasava no minimo uns cinco minutos para tudo, pedi um capuccino com muita canela e pouca chantilly em cima, quando ele chegou já tinha bebido a metade.
Um abraço forte.
- Que saudade, pensei que teria que ir até lá ver você.
- Não seria uma, má idéia!
- Tá, agora me fala o que te fez voltar do seu sonho? Pensei que ia morrer lá e não voltaria nem como espirito pra me ver.
- Para falar bem a verdade, cansei de tudo, por mais que tivesse amigos lá, senti saudade dos daqui. Parece que aqui eu não fico tão sozinha.
- Não entendi, achei que ficar sozinha era a sua intenção
- Era...
- Já falou com ele, ou ao menos pensou em falar?
- Pensei e repensei, quatro anos não é um dia ou dois em que você pode dizer "oi, tava com saudade como vai as coisas", sabe...
- É, ou.. "oi, que saudade de você me desculpa por ser uma piranhuda e sair repentinamente da sua vida"
- Piranhuda? Cala a boca!
- E o que você vai fazer da vida aqui?
- Dar aulas de Inglês é minha primeira opção.
- Nossa, que horror...
- Cala a boca, haushaus, não sei o que vou fazer, tenho que procurar alguma coisa.
- Não precisa mais trabalhar né, você deve estar riiica.
- Vai sonhando.
- Hmmm, acho que hoje o seu dia vai ser mais transtornado do que imaginava, olha quem vem atravessando a rua bem na nossa direção...


Continua...

Parte I

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O espaço entre o inicio e a volta



Acordei naquela manhã de outubro, a primavera já havia chegado e as flores já se mostravam cheias de cor na minha janela. Tomei banho, vesti qualquer coisa confortável e adequada para passar o dia em casa, pijama, olhei para o espelho e fiquei um certo receio do que estava refletido. Eu mesma, com outra cor no cabelo, algumas manchinhas aqui outras ali, as olheiras  se destacavam como uma mancha de molho naquela sua camisa branca favorita. Um rosto bem diferente do que era refletido naquele mesmo espelho a quatro anos atrás, foi pura sorte aquele apartamento ter ficado vazio justo uma semana antes de eu voltar.
 E lá estava eu, no mesmo lugar, com os mesmos móveis a mesma vista da calçada quebrada pelas raízes das árvores, o barzinho no outro lado da rua que costumava ser mais movimentado, os prédios que a cada ano ficam mais acinzentados e pessoas atarefadas correndo de um lado para outro com pressa de chegar ou sair de algum lugar.
 Primeiro me perguntei o que iria tomar de café da manhã já que não tinha nado nos armários e nem nada comivel em nenhuma parte da minha nova casa além de uma metade de Pringles de cebola e salsa que comprei no aeroporto quando cheguei aqui, e depois me perguntei se não deveria sair um pouco e tentar encontrar os velhos amigos e conhecidos e dizer " surpresa, voltei!". Ai depois me perguntei se alguém se importaria e se os meus velhos amigos ainda eram amigos uns dos outros, então vesti um short e uma blusa qualquer desci as escadas e fui até o supermercado da esquina, comi por lá mesmo.
  Na caminhada de volta pensei no que fazer naquele final de semana de mudanças, decidi matar as saudade das coisas que sentia falta, subi as escadas dei  uma arrumada no cabelo um corretivo ali, mais um batom e algumas camadas de rímel, talvez um pouco demais para um sábado de manha, mas pouco importa. Abri as caixas uma por uma procurando aquele meu caderno de telefones, depois de tanto tempo usando outro código de telefone e com a internet não tinha mais nada na agenda do celular, e então, adivinha não estava em nenhuma delas. Corri até a bolsa e lá estava meu caderno com capa preta e bolinhas brancas cheias de rabiscos e rascunhos e lembretes de coisas que não faço ideia do que são e então na ultima pagina lá estava todos os telefones das pessoas que julgava que eram importantes. Peguei a bolsa desci as escadas mais uma vez atravessei a rua e pela primeira vez na minha vida comprei um daqueles cartões para usar no telefone publico, na outra esquina tinha um corri até ele coloquei o cartão disquei alguns números até que começou a dar o sinal de chamada, tive um certo frio na barriga e então uma voz, que agora já era estranha, atendeu.

Continua...

domingo, 24 de abril de 2011

It's over


Arranque a última folha do seu caderno é, bem aquela que tem o nome dele e os corações, aquela musica que você não escutava algum tempo por ser lenta e chata começara a fazer sentido, ou melhor, todas as musicas com qualquer letra lenta e chata fará sentido.
Afogue as borboletas que existiam no seu estômago, aquelas que a algum tempo atrás davam aquele friozinho na barriga. Não use nenhum tipo de maquiagem , será apenas mais um desperdício quando as lágrimas deixarem apenas borrões e riscos pretos no seu rosto.
Escreva tudo o que quiser e onde quiser, sinta se a vontade para descrever tudo o que sente em uma folha em branco para si mesma daqui a alguns tempos. Tente refrear as lágrimas na frente dele, de um sorriso lindo e diga "ola", sentir raiva/ódio será absolutamente normal mais fazer com que isso seja a unica coisa dentro de você será totalmente inútil.
Chore tudo o que tiver vontade, depois disso, seque as lágrimas, lembre dos momentos bons com nostalgia e nunca se arrependa de nada.
Seja forte, sim forte, levante a cabeça, e diga "sempre tem um lado bom em tudo".
Delete as ultimas memórias da sua mente e todas as suas esperanças e ilusões, as coisas são bem melhores quando simplesmente acontecem e nos surpreendem, não crie expectativas de qualquer coisa que seja.
Sorria, o mundo não acabara no próximo dia, e você ainda tem muito pela frente, novas chances e oportunidades de várias coisas. Pense nas coisas proveitosas e perceba que você apenas viveu, e agora...
Seguira em frente!

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